18 de outubro de 2011

maninfestado

A todos os verdadeiros hipsters um grande perdão, podem ir em paz.

Mal posso esperar pela fase de insultar as pessoas com um "seu surrealista", ou "olha-me aquele neo-romântico". Maravilha.

17 de outubro de 2011

no baloiço

Ela diz: "A visão portuguesa é tão bruta às vezes... Não poderiamos ter arranjado melhores palavras que desabrochar e desflorar?"

Ele, no seu colo: "Possível cerne do problema: ter começado por espalhar, mundo fora e à força, uma língua tão maior que nós."

16 de outubro de 2011

m(a)y(an) prophecies

hier j'ai oublié
hoje tudo é peso.
dans le futur,
i'll wear nothing but flowers.

15 de outubro de 2011

tão livre quanto um livro infinito (que começa e acaba nas nossas mãos)

És livre?.. Consideras-te um ser livre? Porquê?
Achas que por seres consciente, por teres dinheiro ao fim do mês, por poderes sair noite dentro, podes dizer-te livre? Achas que por poderes votar, amar quem queres, não amar ninguém, ter animais, comer carne, usar saias e ver televisão és  liberto de condições? Então olha bem. Olha melhor. Olha mais. Desliga os monitores, larga o espelho e Pensa. Tu não és livre. Tu não vives sem comer, não vives sem dormir, não vives sem interromper aquela conversa-maravilha com um "tenho mesmo de ir à casa de banho".  Não vives sem a consciência de que além de tudo isto há ainda uma condição, a condição humana, a morte. Ninguém vive sem pensá-la uma vez que seja. Mas nem vou tocar esse tema, já basta tocar um tema maior que eu e que os homens. Tu não és livre. Será que existes sem a comprensão alheia? "Claro que sim", dizes tu enquanto te agarras com unhas e dentes a esse monitor. Serás livres desses sites que tens abertos? E dessa máscara que pões na cara segundos antes de abrir a porta de casa, serás livre? Olha bem, olha melhor, olha mais. As tuas necessidades, às quais obedeces cegamente e sem questionar, são a consciência de que não és livre. Agradece essa consciência, pensa-a, sê humilde (é através desta que te podes começar a libertar das amarras com que nasceste, com que todos nascemos). Agora não te digas livre: A relação entre a importância das coisas e o controlo que tens sobre elas é profundamente inversa.

15 de outubro

fia-te nos media e não corras

14 de outubro de 2011

não esquecer:

1. Não sentir saudade do que nunca se segurou(, é que não sabemos o que temos em mãos se só o agarrarmos... e sentir saudade é, no meio de muito, cuidar à distância).


2. Não desperdiçar palavras pelos dias(, parece que não mas as palavras têm validade... sentimental).


'Por alguma razão temos uma boca e dois ouvidos' V. Cruz

13 de outubro de 2011

abrir mão

estava tudo certo, era o caminho dos homens
aquele que toda a gente conhece e compreende
aquele onde toda a gente se cumprimenta.
nele as pessoas percebem-se, partilham modos de vida
todos amam igual, é fácil.
todos sentem que fazem parte, nem que seja por breves momentos.
nele todos falam a mesma língua, usam as palavras para tudo.
eu passeava nesse caminho, bem pequena, pela mão de alguém
mas esse alguém deve ter-me perdido

12 de outubro de 2011

cuidado

I.
Sonho. Vou para os teus lugares e sonho contigo. Sonho que apareces repentinamente e sem olhar para trás, sem desperdiçar palavras, agarras-me pelos ombros. Com essas mãos de homem suave, puxas-me. Com esses lábios lentos de outras terras, beijas-me (sem planos, com desejo). Com esses dedos de piano, tocas-me. Com essa língua silenciosa, saboreias-me. Em ânsia os teus longos braços provocam a minha cintura e o meu corpo todo obedece. O teu corpo todo sabe que o meu corpo todo lhe obedece. Encostas-me à parede, para não fugir mais. "Eu não fujo mais", digo enquanto me mordes em castigo. Mas é um sonho. E tu acabaste de aparecer.

II.
Frente a frente. Numa mesa no centro do mundo, eles sorriem-se. Elegantes, perfumados. Olham-se nuns olhos em brilho que arrepia qualquer ser com lobo pré-frontal. Demoram-se um no outro. Estão de mãos dadas por cima da mesa, mas quase que já nem existe mesa. Só ele nela, só ela nele. Mais sorrisos. Mais olhares-delícia. Ele ri, ela sorri e olha para baixo em gesto de embaraço - tão feminino que enamora qualquer um. Ela tira as suas mãos das dele, em brincadeira, para que ele as chame. E ele chama-as (ele É chama) uma, duas, três vezes. Quem vê de fora sabe que ele chamaria as vezes que fossem precisas. É assim o Homem que Ama e só quem Ama é Homem assim. À terceira vez ela deu as mãos, todas. Deu tudo. "Pôs tudo na mesa". É assim a Mulher (toda a Mulher Ama)... Mas nem todo o homem está preparado para Isso. Ele está, tão bem. Agarra-lhe as mãos como se de uma oferenda sagrada se tratasse (e trata-se). Sem tirar os olhos dos olhos dela, sorri. O Universo pare extrelas extra na presença de um Amor assim... Agora partilham um chá. Os olhos continuam nos olhos e não se calam, é lindo de se ver. Tudo isto me faz sentir venturosa por aqui estar, mas o que me deixa humilde, de lágrimas nos olhos, é ver-lhes à distância os cabelos brancos, as rugas que há muito que não são de expressão, o verdadeiro amor eterno. E assim eles partem, juntos, passada igual para a próxima saga. E eu... Eu hoje já só me fico.

11 de outubro de 2011

intervalo - tentativa 2

no início (há uns 3 meses), pensei que conheceria a maior parte de vocês mas chego hoje à conclusão que começo a deixar de conhecer. 

ficam os sentimentos à deriva
mas estar à deriva é amor
estar à deriva é amar
e amar(,) sempre é estar à deriva
(nem todos o conseguem em paz)

vou continuar-me igual,
vocês estão locos
em sorriso comunico um até já
Lo

medsjal

De onde vens tu? Em que parte do mundo aprendeste que a vida são dois dias? Estarás de partida? De chegada? Qualquer partida é uma chegada também... Será que o sabes?
Espero que estejas a aprender(-te)... que saibas que a ideia é nunca parar.
Quantos Dias contas? Conta-los pelos dedos ou pelas almas?..
De que cor são os teus olhos?.. Deixa-me ver. Esquece, não importa. Aprendi que todas as íris têm céu e subsolo e, por mais ou menos claras que sejam, todas têm cócegas das cores do mundo.
De quem foges? Eu fujo da morte, ando a ver se passo despercebida. Queres esconder-te da morte comigo?

10 de outubro de 2011

só

acendo um cigarro de uva
quando se acende um cigarro de uva tudo fica mais redondo
só às vezes não o suficiente
às vezes parece que por mais água que deites numa semente ela não Sente
guardami, sentimi... imploro eu e o italiano, juntos sabemos bem o que estamos a pedir

mas nada... fica tudo lá, na sua impenetrável carapaça
secalhar as sementes do mundo têm momentos quadrados,

só para que lhes deitemos água e mais água,
só para que façamos por dar o nosso melhor, o nosso maior, o que podemos dar
"só?", perguntas
secalhar é esse o objectivo que o universo lhes deu, para estes tempos de barragem selada,
longe de crescer ou virar fruto:
a ideia é, provavelmente, ficarmos a saber, através da intensa tentativa, o que pode ser o nosso verdadeiro Melhor naquele momento
"tanto.", respondo
assim me fico, no silêncio. aqui no quarto parece a mais bela orquestra
assim me fico toda, inteira como um espelho antes de cair, ensurdecedora como um triângulo 
fico a saber o meu melhor mas esgotei(-me) (n)a água toda
esgotou-se (n)o meu peito, (n)os meus dedos, (n)o meu umbigo, (n)o meu sangue
"até."
agora tenho de ir dançar à chuva

cartas a um jovem poeta que não aquele

começo a achar que tudo à minha volta ganha vontade própria quando eu lhe toco. Tipo Midas mas em versão mulher do séc.xxi.,
mas também sou uma criança que até com o vento nos cabelos se eleva.
sabes que nem todos vêem magia, há uns mais sortudos que outros.
conta-me estórias, existe, sei lá.

isto de escrever espontaneamente e não olhar para trás (desde sempre) tem o seu quê de estupidez.

(senti-me) obrigada, p-c, as palavras de três letras são muito intensas para mim.

parentes-is

atiro-me aos dias porque sonho (incessante-mente):
sonho que se a minha mão esquerda estiver a flutuar enquanto conduzo, alguém há-de agarrá-la e essa pessoa vai mudar a minha vida.
sonho que se eu for sempre verdadeira com o mundo o mundo será sempre verdadeiro para mim.
sonho que quando se cruzar comigo a pessoa que mais me comprende no planeta Terra eu saberei (por isso preciso de correr o mundo inteiro).
por falar nisso, sonho também que os homens e as mulheres, um dia, se compreenderão uns aos outros.
sonho que se chamar uma pessoa com o pensamento ela ouve e, se gostar de mim, vem (funciona).
sonho que a escrita não está escrita, que é o que somos cá dentro, livre e infinita (eterna adolescente)
sonho tudo e todos, isto e bem mais,
e questiono-me se alguém um dia me sonhou,
mas não vou por aí sequer
já que questionar, questiono o universo.

9 de outubro de 2011

for a living

se o céu se confunde com o mar estás no sítio certo

(sometimes i just count stars for a living)

azul

não me olhes assim,
desencontros são encontros também.
quando te abro a porta
fecho janelas a alguém.
se desencontro o encontro
fica o desejo aquém.
não é inconstância

é querer o mundo e não querer ninguém

8 de outubro de 2011

quando o tempo deixa de saber quanto tempo tem

escrever é fazer parar o tempo, ou contá-lo em notas de prazer, mas há tempos que não esperam por nós. há tempos que nos correm pelos olhos, pelos lábios e, como as sensações, nos fogem pelos dedos. fica a memória deste cadente fugidio, que sobe o rio e quase se deixa apanhar... mas até a memória é sensação neste mundo que somos nós, ela sempre ganha as formas do corpo que usa. como um leve vestido que desce pelas horas abaixo.

quando as coisas ficam assim claras é melhor parar.

6 de outubro de 2011

uni-verso

fui visitar uma nebula, mas estava em trabalho de parto
fazia frio na via láctea,
fechei a janela e fugi para mercúrio,
fumei um neptuno,
espreitei saturno pela janela, mas estava de mau humor:
chakras desanelados.
hoje o universo está todo do avesso...
parece a Terra...
vou dar-lhe um banho de estrelas e já volto.

5 de outubro de 2011

antecipa cão

é a antecipação que mais te pega na vida e a passeia de trela
as saudades que sabes que vais ter
as novidades que sabes que te passarão ao lado
a vida de quem amas que não tens como defender do mal
o destino que sabes não poder segurar sem o deixar cair
por isso sempre se deve levar uma tesoura no bolso

3 de outubro de 2011

points of view

problems are problens: they make you see better

1 de outubro de 2011

o feliz distraído

o coração às vezes esquece-se se acompanhar o passo.
distrai-se, abranda, fica lá longe...
e nós, agarrados ao momento, à passada,
nem damos pelo silêncio:
continuamos.
aí o ritmo troca-se todo, aceleramos, tropeçamos,
trocamos os passos como quem se embriagou de petazetas
só assim se vê que falta qualquer coisa...
não se deve caminhar sem coração
os médicos dizem que não é possível,
eu acho que é, mas não se deve simplesmente
é que depois não se percebe a música dos dias, o tempo que passou...
não se percebe nada, nem a matemática... 
é terrível...
por isso devemos saber esperar pelo coração
se ele ficou lá trás é porque algo o fez ficar
as coisas que fazem o coração mexer são muito, muito importantes...
devemos aprender a esperá-lo, pode levar uma vida mas é preciso
é preciso ficar quietinho, à escuta
aguardando que ele se aproxime,
que dê um salto em abraço e entre cá dentro,
feliz,
aí, se nos portámos bem, se soubemos esperar e ouvir
o melhor, o mais saboroso, a delícia das delicías acontece
nós só temos de fechar os olhos e escutar
enquanto ele sussurra tudo, tudo o que se passou
tudo para o que devemos viver.