22 de março de 2012

enquanto via o hiato do seu iate

Isso mesmo. 
Metam-se na luta por vós e percam tempo com o outro.
Assim ganha tempo o rico.
Força, mais. 
Entrem de cartaz em punho e saiam com ele partido. 
Assim se esquece o que seria dito.
Continuem.
Entrem com ideias de paz mas escolham a agressão.
Assim aumentam a separação.
Por favor.
Esqueçam que a polícia também é povo em decadência.
Assim alimentam a ignorância.
E, claro está,  não parem para reflectir:
É um povo inteiro para se auto-destruir!

21 de março de 2012

cooking ideas

People of the world! Please complete the sentence: 


Before I die... 

20 de março de 2012

Sobre ti, sur vous, about you

Eu sou hoje, amanhã não sei.
Je suis aujourd'hui, demain je ne sais pas.
Yo soy hoy, mañana no sé.
I am today, tomorrow i don't know.


(thank you curious world)

18 de março de 2012

personal idade

trancas-me a porta,
prendes-me as mãos,
mordes-me o queixo,
tiras-me o espaço, o tempo,


tudo o que peço a todos, 
cheia de mim na ponta da língua.
e peço-to antes de me morder.


e tu, 
sem medos (sem pensamedos),
levas-me a vontade, 
a liberdade, a razão.


e eu 
amo porque assim deve ser.
traz a tua alma, mostra-ma,
e eu deixo-te seguir comigo.

17 de março de 2012

presente

aqui, na fronteira com a venezuela, depois de ter atravessado o equador pela segunda vez e ter-lhe dito que já nos cruzávamos de novo.

agora, o quarto já não tem mais tanta importância. as roupas, os objectos, a cama.
agora, uns amigos passaram a conhecidos, os amigos a irmãos e os irmãos, esses felizmente já os sabia bem.
agora, a importância não tem mais tanta importância. o atraso, as palavras, o esquecimento, a teimosia, as mulheres, os homens, tudo é nada e o nada pode ser tudo se o modelarmos bem.
agora, a urgência deixou de o ser. os passos passaram a ter ritmo, as palavras música, as cores brilho.
agora o profundo passou a ser um objectivo, não um medo, e os medos, antes desafios, são agora inspiração.

16 de março de 2012

perfumar as flores

na cidade


perfuma-se as flores
planta-se vegetação selvagem
pisa-se a terra o mínimo possível
prende-se os animais
paga-se a água


... e o povo puro persiste, pensando-se plebeu, precário e pobre de pensamento. pagando pelas pagãs praças, petrificadas pelos patrícios pseudo-portentosos que por elas se pavoneiam...

Porquê?

aomar


Melhor que acabar as frases um do outro é começá-las.
Better than finishing each other's senteces is starting them.

29 de fevereiro de 2012

espelhos meus, espelhos meus

há os espelhos do mundo e depois há os (meus) espelhos. os (meus) espelhos são das coisas mais importantes das nossas vidas. os (meus) espelhos não são aqueles objectos que a gente, hoje em dia, tanto usa antes de sair de casa. eles não se partem assim tão facilmente mas, se partirem, podem de facto dar azar. os (meus) espelhos são o mundo que nos rodeia. são a luz do dia, o sorriso por desvendar, o olhar de um ser. os (meus) espelhos são as palavras dos amigos, dos menos-amigos, da mãe e do senhor do café. são o dia anterior, as opções do namorado, a medida das calças mais bonitas da loja. os (meus) espelhos são os livros que decidimos ler, a música que escolhemos ouvir, a chuva na janela. são também a estação do ano e o domingo à noite. há que ter atenção, por mais que pareça, não somos nós que procuramos os (meus) espelhos, são eles que nos encontram e, quando tal acontece, existe naturalmente um efeito: podemos mudarmo-nos, podemos achar que está óptimo assim, ou outras opções mais. a questão não é o que se faz quando um espelho (meu) nos encontra. a questão é o porquê de o fazermos. aí, se pensado, se digerido, mais que um penteado ou uma cor nova de batom, vemos o reflexo da alma.

27 de fevereiro de 2012

jam jokes

i break things, i just do


i make them, one after another
(they just keep on getting better)
then i break then
not for pleasure
not with pain
but because they are things
and i get attached to them
so i break them
i hold them as if i'd never let go, then i remember 
it isn't perfect, i'm attached,
so i open my hands, gently
and see it fall, in slow motion
for it to break piece by peace, peace by piece
it hurts as much as it reliefs
so it's all and nothing, they'd say 
i'd say it depends on the day
with me, it always depends
(and that's always the problem)




... now break this in two, as i'd do
(show me the result)

26 de fevereiro de 2012

Globo do mar

Algures no Rio Amazonas crepuscular:


Eco: "Que sorte a minha."
Lo: "Que sorte ser a sorte de alguém."




A vida é uma perspectiva. A felicidade é simples.

17 de fevereiro de 2012

Eu nunca estive compro-metida

Haverá pior descrição de um estado de vida que: "estar comprometido"? "Estou comprometido"?! Mas quem, no seu perfeito juízo, foi chamar o acto de amar-uma-pessoa-e-não-ter-olhos-para-mais-ninguém-naquele-momento "estar comprometido"? Quem foi inventar um mundo de casamento e de obrigação, de papelada e "algemas", ou mesmo só "comprometimento", para que um verdadeiro amor se consumasse? (Talvez seja mais para que se consuma, porque de facto é isso que faz um "compromisso": consome.)

Comprometidos devemos ficar sempre que mentimos a alguém.

Além disso,

É preciso não amar nem ser amado para criar uma aberração destas e aculturá-a. É preciso não saber que o coração é Livre, é Enorme, e o seu Amor, infinito. É preciso não segurar vidas num abraço de olhos fechados, vidas várias de seguida, e sentir aquele despertar, aquelas cócegas que fazem sorrir de overdose de sentir, em cada apertar, em todos eles. Seja amor, seja vontade, que importa? Se tudo fizer parte do sentir, então tudo é verdadeiro, tudo é válido e merecedor de existir na luz do dia e nela brilhar.

Eu não sei quem foi dizer que ter um amor invalida ter outros, ou ter paixões, ou vontades que sejam. Não é assim. A verdade é que não somos assim. Não para uma vida. Acordemos. Larguemos a hipocrisia por amor de Deus. Larguemos essa ideia aberrante, artificial, de algemar dois pulsos entre paredes e chamar a isso de amor verdadeiro. Isso não é verdadeiro, isso é artificial. Amemos tudo, de todas as maneiras. Tudo o que merece, tudo o que sentimos amar. Beijemos quem queremos beijar. E, com um amor, ou vários, com um desejo, ou vários, sejamos, acima de tudo, Livres e Transparentes. Felizes!

14 de fevereiro de 2012

acon-chego-me

Estou a beijar-te agora.

Daqueles longos beijos
Nas curtas noites-aurora.

Naquela bolha nossa
Estendida ao mundo,
Amor de criança.

Estou a beijar-te tudo.

Desde os teus lábios meus
Até esse olhar desnudo.

Estamos naquele quarto delícia
Que nos viu nascer
Carícia a carícia.

(Apontas-me o infinito e eu vejo-o)

Estão em mim os teus dedos
Que um mundo criam
E me desenham segredos.

Começam nos cabelos
E continuam-me sem cessar...

Guardo-os no corpo, livres como ar.

Talvez um dia te deixe, 
Te afaste, te morda, 
Te obrigue a sumir.
Mas hoje, amor,
Não há mais que o sentir
Do teu peito meu 
Onde agora vou dormir.

6 de fevereiro de 2012

Uni-verso II

Somos o Universo que sonhamos visitar.

5 de fevereiro de 2012

Nasc(r)ente

Era uma estação de metro em Buenos Aires. Uma estação imitando as antigas, de paredes em azulejo que faziam imaginar sons de ferro, cheiro de fumo. Só as televisões nos acordavam para este século, mas ela não queria saber das televisões. Sempre via a sua vida como um filme, tão belo, tão intenso, tão dramático, que tinha de olhar da cadeira, muitas vezes, sair do palco para ver melhor. Para descansar da sua inquietude, da sua mente criadora e turbulenta. Os seus olhos eram castanhos-luz, a sua pele castanho-irrepreensível, os seus cabelos castanho-vento. Era só mais um dia em que ela se esqueceria de agradecer a Deus a benção que é cada segundo, mas isso não lhe mudava a gratidão, os olhos fechados em sorriso.

Era uma estação de metro em Buenos Aires. Velha, riscada. Poluída pela imagens fast-life e também por algumas pessoas. Ele não queria saber da estação. Sempre entrava como quem sobre um degrau que leva ao lugar. Os lugares dele eram longe de tudo, mesmo à distância de uma estação. A sua vida era tão obscura, subsersiva, mística, que as luzes fluorescentes daquela estação o faziam não existir... Mas os seus olhos eram castanho-terra, a sua pele castanho-sol, os seus cabelos castanho-selvagem. Era só mais um dia que ele, propositadamente, não agradecia ao seu Deus: nenhuma das suas perguntas tinha resposta.

Em lados opostos, desceram as escadas, acelerados por um som de fundo que adivinhava uma estadia rápida naquele submundo. Corriam e pediam que fosse do seu lado. A chegada ao vão foi simultânea, o que os fixou. Foi imediato: os olhos, os ombros, as pernas, os pés, tudo se beijava - paralelas-mentes. Nunca se tinham visto mas tinham já a sua bolha. Os pensamentos igualaram-se e eles sabiam-no ("eu quero", "eu preciso", "eu não vejo mais nada"). Queriam-se tudo. Não se largaram até o metro aparecer, no lado dele. Ela sonhou que ele não subia e ele permaneceu imóvel, olhando-a por entre as janelas do metro. Chegou o metro dela e ela entrou no desassossego de onde sempre tentava fugir. Quando o aviso das portas a fechar disparou ela voltou ao mundo-matrix e entrou quase que por impulso, quase como quem corre para a pílula azul e não pensa mais nisso. Arrependeu-se ao mesmo tempo que as portas se fecharam.




Assim que ela entrou no metro soube que teria de vê-lo uma vez mais que fosse, a sua mente desassogava-se agora com a ideia de cair nos seus braços. Esperaria por ele na estação seguinte. Esperaria um metro e, se ele não aparecesse, voltaria atrás. O metro que a seguia chegou vazio, e aí ela entrou no metro que regressaria à estação que já era a deles, esperançosa.


O metro partiu e ele ficou imóvel, intenso para dentro. Ele sabia que ela tinha partido arrependida e por isso saiu em corrida pela estação até ao lado dela, segui-la-ia, ela estaria à sua espera. Perdeu um metro mas entrou em corrida no seguinte, como quem corre para os braços de alguém. Não (ha)via mais nada a não ser os seus olhos.

Quando ele chegou à estação, desesperou. Concluiu que ela seguiu caminho e que o melhor era fazer o mesmo. Apanhou o metro no lado oposto e sentou-se, vazio. Mais perguntas, mais silêncio de volta. Estava criando nós de marinheiro em si mesmo quando chegou à estação onde a tivera visto. Ela não estava em lugar algum. Encostou a cabeça ao vidro e pensou que o metro esperara demasiado tempo. Pensou depois que era de uma cigarro e uns minutos de digestão emocional que precisava. Num impulso pulou metro fora e subiu as escadas enquanto teve a sua prmeira resposta: o metro esperara demais para que tivesse a certeza.

Chegada à estação ela sentiu-se ridícula. Ele não estava. Esperou um metro e nada. Quis esquecer, era melhor regressar ao seu caminho. Subiu as escadas para a rua e só o sinal vermelho do cruzamento a fez parar. Ele não lhe saia da cabeça e ela só pensava que aquele vermelho demorava por alguma razão: o Universo sempre tem as suas razões.

No último degrau acendeu o cigarro e olhou para mundo. Ela estava no seu mundo. Não pensou mais, não havia cor, matéria, tempo, que o parasse. Correu para ela. Ela viu-o, em exultação correu para ele.

Deixou de haver exterior. Nesse dia provocaram 5 acidentes, caos metropolitano e uma menina chamada Vega.

7 de janeiro de 2012

roda de samba

Cada lugar é infinito. Cada pessoa é infinita. O indefinido é um indinfinito.

A coerência social é um esforço artificial do ser humano que pode levá-lo a um dos sentimentos mais perigosos para a sua evolução: a incoerência.

3 de janeiro de 2012

c(u)or(e)

Família: "Lori, você já comeu coraçãozinho?"
L.: "Só de homem."

26 de dezembro de 2011

ar testa

a ocupação mata o artista
o meu está a morrer de amores

4 de dezembro de 2011

desver

Há a natureza e há o homem. Hoje é assim. Hoje é "bruto", então. Caminho por grutas pré-históricas e a cada passo surgem palavras que complementam a pergunta: como é que nos desviámos tanto? Que desvio sedutor se cruzou no caminho? E porquê? Quem o construiu?

2 de dezembro de 2011

sóL

estar só é uma febre.
não se gosta,
foge-se
não é bem visto,
sente-se, custa
passa...
intensa. intenso.
aprende-se.
o corpo muda,
a mente muda com o corpo
a alma pe(r)de a febre e muda-se toda
aprende-se que se aprendeu

é enorme
é melhor
mais forte
o mundo fica nosso
à nossa maneira o movemos
com mais sentido(s) o sorvemos 
movemo-nos com ele
deixamo-nos sorver melhor

intensa, febre. intenso, estar só. enorme.

Estar só é ter o mundo todo só para nós. Num egoísmo que só cria um mundo melhor, que é, portanto, altruísta. É que só assim, em boa solidão, o vemos bem, sem corações alheios... Só assim o agarramos, tendo-o como ele é-segundo-o-que-somos, ou seja, segundo a real verdade: a de cada um. 
Sem influência de informações que fluem formando forros nas frontes de que faz falta fugir para nos fazermos ao firmamento. 
Estar só é entrar no mundo a pés juntos e nem pode haver outra maneira, que não a pés juntos, de entrar.

27 de novembro de 2011

diz sol ver se

O sol é belo também quando não se vê. Sempre. Profundamente. É-o nas nuvens, nos corpos, antes de acordar, depois de adormecer. É belo porque não nos existe sempre. É belo porque se estende e se prolonga pela matéria fazendo-a brilhar. Porque, e talvez acima de tudo, dá incondicionalmente. Se a matéria é bela é porque o sol o permite. É uma comunhão que não esqueço, que ninguém pode esquecer, tanto em relação ao sol, como em relação aos nossos mundos, físicos e afins. A beleza não está no que vemos quando se olha. Ela encontra-se quando, e onde, se Vê. Aí sim é infinito e constante, como é a verdadeira beleza. Não vale muito a pena procurar "belezas" que não esta. Até porque também nós podemos e devemos ser belos assim.